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A possibilidade de conhecimento da cidade em sua forma global é praticamente impossível em um cenário de globalização, de segregações, de violências, de metropolizações e de plus de história, portanto:
Como é feita uma cidade? Como muda a cidade? Quem vive a cidade?
A cidade contemporânea é pluricentralizada e a leitura através de suas imagens supõe fragmentá-la na articulação dos seus lugares de passagem e não na suposta totalidade do seu conjunto. Totalidade que, com o tempo, caiu nas repetições, nos lugares comuns, com uma tendência ao exotismo e a um certo "paternalismo" nos temas. A piedade pelos sujeitos (em geral pobres), se tornou mais forte do que a analise politica. Uma crescente exasperação frente a distância cada vez mais acentuada entre realismo fotográfico e dimensão política, passou a exigir um re-pensamento do documentário, tão drástico quanto necessário. Realidade que só é passível de estudo através de representações, de signos que, no tempo e no espaço, marcam o modo como o homem se relaciona com a cidade, dela se apropria e a transforma.
Um possível mapa mental da cidade vai muito além da simples funcionalidade utilitária que facilitaria deslocamentos ou direções. Sua leitura é não verbal e está diretamente relacionada à capacidade que o homem desenvolve para produzir alternativas de subsistência e a encontrar, no cotidiano, as melhores soluções para comunicar-se e encontrar-se, individual e coletivamente. Trata-se de uma aprendizagem que decorre da maior experiência cultural da humanidade: aprender a viver de modo solidário. Esta vivência constitui a realidade fenomênica da cidade.
A procura de novas possibilidades estéticas e sociais são fundamentais para uma discussão contemporânea sobre a urbe. Neste sentido, a combinação do carácter descritivo com as possibilidades teatrais de "mise en scene" da fotografia; a utilização dos recursos próprios da publicidade para criticar a sociedade atual, demonstrando a dimunuição da participação democrática no espaço coletivo; o retorno das imagens sobre os espaços urbanos como uma tentativa de conjugar a dimensão poética e política do processo ou, ainda, o uso de ferramentas da sociologia e da etnografia pode nos aproximar do argumento de Victor Burgin: " a cidade hoje é, em nossa experiência cotidiana, ao mesmo tempo um ambiente fisico realmente existente, uma cidade de cartão postal, de romance, de filme, uma cidade vista na tv, em gibis ou imagens infográficas."
*texto do concurso DeVERcidade 2007, do IFOTO - Instituto da Fotografia, de Fortaleza.
criado por daniellecms
11:17:59